ligado: março 5, 2018

No dia das mães a fidelização não é do comercio é um reflexo representativo de afeto, não se fideliza o cliente, nessa oportunidade do varejo o que se fideliza é o signo, é símbolo mãe, ocorre que o simbolismo que compreende a construção antecessora ao movimento de venda também é construído pelo movimento social/temporal e pelos interesses de mercado. A figura da Grande Mãe junguiana se mantém apenas como pano de fundo, o movimento mais concreto da variação da aplicação mercadológica do dia das mães está afeto a dois movimentos: como o feminino se vê e como toda a sociedade a percebe. O feminino é a  auto visão da mulher, uma percepção não mais de individuo mas de consumidora,  que para efeitos de mídia de varejo é importantíssimo- talvez nesse momento o mito da Grande Mãe esteja realmente presente- no entanto, a idéia de auto imagem merece esforço de compra enquanto a idéia comum da sociedade mãe/gratidão gera o movimento motivacional genérico que, em tese conclui com a venda. Ao analisarmos o declínio de busness como a UD- Utilidade Domesticas, só para indicar um exemplo, podemos fluir o conceito auto-imagem como preponderante para a venda.

Usando dos arquétipos trabalhados no artigo de Helen Prety e Roberta Del-Vecchio “Os Arquétipos nas Propagandas de Revistas Femininas” publicado na Sessão de Temas Livres do XXVII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação conseguimos explorar uma ótica nova do movimento que leva a motivação de comprar no dia das mães, aliás o segundo momento mais importante das vedas do ano, perdendo em volume de vendas apenas para o natal ( em 2016 foram xx milhões de reais).

Não podemos afastar o movimento decrescente das vendas nas datas mais festivas, no entanto esse movimento de retração é fartamente explorado por diversos analistas, pretendemos então  encontrar uma ótica desmembrada para entendermos a comoção social no dia das mães e a transformação do consumo com relação a imagem da mãe e da mulher, entendemos que ao debruçarmos de forma menos mercadológica e entregarmos ao leitor um histórico dessa universalidade da relação sociedade/mãe e conseguirmos descrever a figura feminina e a sua apresentação social como elemento sentimental para a venda, consigamos acrescentar em um debate que se limita, segundo a pesquisa feita pelo autor, em aplicações simplistas de canais de comunicação cliente/consumidor e que compreende a queda das vendas somente como um movimento econômico negativo.

Propomos pensar que a imagem da mãe do imaginário médio comum mudou com os anos e a gratidão social se desloca da data festiva do varejo para outras esferas de interesse.

Analises contextualizadas de conclusões de Charles na assertiva “Os diversos rumos que tem tomado a identidade da mulher através da história e que têm determinado suas formas culturais específicas não são específicos ou casuais, mas respondem aos requerimentos de um sistema social que os cria, recria e dá forma, na vida cotidiana” e de MCL Leite no artigo Mulheres: muito além do teto de vidro. São Paulo, Atlas, 1994. 270: “A mais simples forma de organização familiar foi a da mulher com seus filhos vivendo juntos no clã (…). Conhecendo-se a mãe e não o pai, a herança era traçada pela linha paterna (…) elevando a importância da mãe no lar e na sociedade.” Essas experimentações literárias nos auxilia a uma construção emotiva e antropológica da idéia de mãe. Na primeira assertiva a mãe tem uma identidade volátil uma concepção conceituada do tempo e na segunda assertiva apresenta a mãe em uma ótica de representação do individuo como esteio em um sistema social.

Por Alexandre Damásio Coelho
Advogado, especialista em Direito Público , mestrando em Gestão Pública pela
Universidade Federal do ABC, pesquisador do Instituto Solução Pública para o
Diagnóstico de Políticas Inovadoras