ligado: março 4, 2018

Parece uma afirmação pouco apurada: “há o turismo” dirão alguns, “ há os vendedores” dirão outros e é exatamente aí a certeza que o Carnaval é ruim para o varejo.

Pesquisa por amostragem feita pelo Instituto Solução Varejo/FDCLESP em cinco regiões do Estado em que a entidade possui Câmaras de Dirigentes Lojistas, contrapostas com índices de comércio consolidados no IBGE, dados demonstrativos do Banco Central, acrescidos dos dados consolidados com a geografia territorial- meio predominante da atividade da região e expectativa econômica do varejo- conclui a mesma intenção de queda que se aferiu no acumulado de 2016 (-5%) se manterá nas vendas do Carnaval do comércio.  A pesquisa denuncia que as vendas no varejo tendem a ficar estáveis nas regiões do litoral e manter uma tendência de queda nas regiões do interior em que tradicionalmente não há incentivo público ao Carnaval.

Em cidades litorâneas o fluxo de turistas não anima o comerciante, segundo a pesquisa, o varejo local é invadido pelo comercio informal e a maioria das vendas durante as festas resume-se à alimentos, principalmente bebidas. Para o comércio de bens duráveis e lojas de rua, em três das regiões pesquisadas, o carnaval é sinônimo de aumento de custos e queda nas vendas. Também se aferiu que nesse período há uma inversão bastante grande dos hábitos de consumo, os horários de movimento se alteram e a maioria dos lojistas não acompanha a mudança, restando aos ambulantes e àqueles que possuem comércio sem ponto fixo a maior fatia do mercado. Nas regiões mais industriais e metropolitanas o comércio local percebe a fuga do consumidor para outros destinos. Cidades turísticas possuem uma dinâmica de consumo à parte, mas os lojistas acreditam que haverá uma queda no ticket médio de consumo.

O pequeno comerciante perde dinheiro, o nano comerciante regular- àquele inscrito como microempreendedor individual- percebe um aumento brutal na concorrência com os ambulantes ilegais e assim vamos: pulando carnaval e aumentando o prejuízo.

Por Alexandre Damásio Coelho
Advogado, especialista em Direito Público , mestrando em Gestão Pública pela
Universidade Federal do ABC, pesquisador do Instituto Solução Pública para o
Diagnóstico de Políticas Inovadoras