ligado: outubro 10, 2019

Senta, vamos conversar um pouco. Quer alguma coisa, chá, suco. Você está muito bonito hoje. Não precisa ficar tímido, devo dizer que você é muito importante para mim e que queria fazer mais por você.

Tá bom! Começo eu nossa conversa, vá me corrigindo se seu lhe disser algo errado tá!

O que sei é de você é o seguinte: sei que você não tem mais medo de comprar pelo celular e pelo celular pesquisa, avalia, sugestiona,  compara e reclama. Sei que você ainda gosta da loja física mas ela tem que ser um ponto de experiências para você, tem que valer à visita senão você nem passa pra ver, sei também que você tem pelo menos uma experiência negativa como e-commerce mas não vai desistir dele, que lá você ainda faz menos esforço, procura cada vez mais facilidades e que temos sorte de que ainda não inventaram cheiro no celular. Tenho percebido que meu concorrente não é mais quem eu acho que é e sim qualquer um que você queira que concorra comigo, que meu business plan deve valer só até à próxima semana ou até o próximo meme da internet. Que você merece e quer ser exclusivo, único e que eu tenho que saber seu próximo querer. Sei que não adianta mais não te perguntar, sei que tenho que me expor, que tenho que te dizer e mostrar porque estou aqui e como posso mudar o mundo com você.

Sabe tenho cada vez mais deixar que você me ensine a vender para você.

Cliente, fiquei sabendo também que você muda rápido, muito mais rápido que eu estava acostumado e que você se redescobre como shopper e  sei que você é cliente de si mesmo, que tem se tornado “self service” de compras e que eu Varejo, tenho que estar cada vez mais focado, cada vez mais preocupado com o que você vai querer, cada vez mais integrado com quem produz, para quem produz e para onde vai o que se consome. O que você quer eu já tenho obrigação de saber, mas o que você vai querer… dê-me uma dica! Tenha dó, nasci em outros tempos, em tempos que o que importava era o que eu dizia,  o que eu queria, o que eu te mostrava.

Tempos diferentes que eu mandava na indústria,  mandava naquilo que você ia querer e naquilo que eu ia fazer você querer. Houve um tempo que eu nem sabia que você falava. Minha preocupação não era te ouvir, era te fazer falar de mim. Não, você só podia falar bem de mim, isso sim. Tempos mais fáceis. Hoje lembro de uma música “ você mudou, mudei também”, mas tenho certeza que você mudou mais, nem te reconheço, antes…antes… não tinha selo de consumo consciente, não tinha produção sustentável, não se falava de economia circular, economia compartilhada. Desculpe. Estou sendo rude. Quer sentar mais confortável? Mais chá? Desculpe-me te pedir desculpa, aprendi que agora tenho isso também: mostrar que errei, que minhas propagandas estavam erradas e que agora tenho que ter outro mindset. Ah, estou falando de mais, fala de você, queria tanto te conhecer.